sábado, 6 de setembro de 2008

A curiosidade matou o gato

http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq053/arq053_02_04.jpg

A tal "espiadinha" ou o ouvir sem querer querendo uma conversa importante atrás da porta e até mesmo o estar presente às escondidas numa situação em que não foi convidado. Resumindo: meter o bedelho na vida alheia.

Em Show de Trumman, o Show da Vida algo parecido acontece. O personagem em questão nasceu e cresceu numa redoma de vidro. A vida inteira do cidadão não passou de um mero show, espetáculo, em que TUDO o que fazia, era filmado e veiculado num canal de tv. A cidade era cenográfica, os amigos personagens e as outras pessoas, figurantes. Um diretor roteirizava o dia-a-dia de Trumman: as decepções, os interrelacionamentos, o trauma inserido na vida do rapaz para que não saísse daquela cidade "maravilhosa" (vide a tal perda do pai biológico de Trumman que pretendia contar a verdade para o rapaz sobre a farsa criada). Tudo explicável, tudo muito arrumadinho: o céu, o mar, as estrelas, o sol e a lua, TUDO fruto da ficção.

Até o momento, nada de anormal, afinal de contas, é uma metalinguagem: um filme (ficção) sobre a vida de um homem toda ela inverídica (ficção). Quero chegar ao ponto crucial: o programa, segundo o próprio filme retrata, era sucesso de audiência, pois os telespectadores permaneciam vidrados em frente ao aparelho de tv, acompanhando o que se pode dizer, reallity show daquele pobre rapaz.

Isso mesmo, a curiosidade, a falta do que fazer, o não olhar para o próprio umbigo, faziam do programa, um sucesso. Saindo um pouco da temática do filme e encaminhando-me para a realidade dos fatos, quantas vezes não deixamos de nos preocuparmos com nossos afazeres, nossos problemas, nossa HISTÓRIA e damos atenção, elevamos quase que ao topo, a VIDA ALHEIA e quem as protagoniza.

Somos protagonistas de nossas vidas, bem como, de tudo o que nos atinge ou que fazemos. O fato de olharmos pela janela, fechadura, por sobre o muro, enfim, deixarmos de vivermos nosso "FILME" e nos preocuparmos com fulano ou cicrano (uso do senso comum, mas foi preciso), é até considerado admissível. O ato sufocante é quando tal atitude torna-se corriqueira, uma necessidade fisiológica.

Os curiosos, fuxiqueiros, comentaristas profissionais da vida alheia, deveriam sim, deixar de serem parasitas dos fatos de terceiros e verem como é lindo viver. Viver sua própria vida.

Infelizmente quando tal necessidade fisiológica impreguina até na alma da pessoa em questão, o melhor a fazer é cada vez mais, atuar. Isso mesmo, fazer boas cenas, ótimas interpretações para que o "espectador" simplesmente, aplauda.

Nenhum comentário: