domingo, 21 de setembro de 2008

O que fazer?

Escrever, escrever e escrever. Para quê? Para que as pessoas não leiam? Para que isso seja uma válvula de escape? Bom, escrevo porque gosto. Claro que eu tinha uma vaga certeza de que mais pessoas lêssem e comentassem meu blog. Ledo engano. Mas sou brasileiro e não desisto nunca. Assim é a vida.

http://www.adorocinema.com.br/filmes/longe-dela/longe-dela.asp




Continuo com minhas análises sobre roteiros de cinema que retratam a vida cotidiana. Desta vez, é um filme muito original. Original até demais. O filme pergunta: "e se o seu grande amor esquecesse que você existe?" Em Longe Dela (Away from Her) uma mulher casada há mais de 40 anos com aos poucos vai perdendo a memória, esquecendo-se de algumas informações. Ela é diagnosticada como portadora do Mal de Alzheimer. O marido a leva para uma clínica especializada nesse tipo de doença. Uma única exigência é feita: a esposa deveria ficar um mês sem vê-lo, como parte do processo de tratamento. Quando regressa à clínica o marido percebe que a esposa não mais se lembra dele, e que se apaixonou por um outro homem que também estava naquela clínica. O marido tenta lembrar a mulher sobre os anos que passaram juntos, mas tal atitude não vinga. Ele tem de se contentar com o papel de amigo enquanto ela, gozava o pouco tempo de vida nos "braços" de outro, já que este também era casado.


Claro que não vou contar o final do filme. Assim como fiz em outras análises, estou apenas explicitanto o que o roteiro oferece. O filme foi adaptado a partir de um conto. Digo que é original, mas me refiro a idéia descrita no livro que serviu de inspiração para a elaboração do filme.


O que fazer se tal situação acontece em nossas vidas? O desapego, estar feliz com a felicidade da pessoa amada, mesmo que esta se esqueça de você e se afeiçoe por uma outra pessoa na sua frente e sem poder fazer nada, você observa que ambos estão de braços dados, enquanto na sua mente ainda há o cultivo de um amor que não se abala.


A atuação dos atores é brilhante. Mas me atenho aos fatos, a propósta do filme. Quando se ama, não queremos ver o(a) parceiro(a) feliz? Claro que sim. Por outro lado, o sentimento de posse, de propriedade que um tem sobre o outro intrinsicamente existe. Numa relação a dois, quando há uma junção dos seres explícita ou na mente de um deles, para que haja uma independência total, a situação fica conflituosa. O relacionamento a distância é exemplo disso. No caso do filme, o marido ama tanto a esposa (ele havia traído a mulher em outras ocasiões) que suporta o fato dela não lembrar mais dos bons tempos que passaram juntos e aguenta firme tal rojão.


E alguém tem culpa nisso tudo? Óbvio que não. O retrato mais singelo é este: não há culpados. O que existe é um dilema. Todo o sentimento de amor é colocado a prova, em teste.


Fico pensando o que eu faria no lugar do marido ou da esposa que tem o cônjuge que também sofre de Mal de Alzheimer e o vê com outra. Estaria amarrado sem poder agir. Sem obrigar que me amasse, sem chacoalhar e implorar que se lembrasse de mim e do tamanho do meu amor. Seria um ato heróico? Creio que seria um ato de amor tão imenso quanto o que se pode ter quando há reciprocidade de sentimentos.


O que você, leitor e comentarista deste blog faria? Se seu pai ou sua mãe fosse protagonista desta história sendo ela a adoentada e ele o marido "traído"? Ou mesmo, se estivesse na posição do esposo? Esqueceria, de propósito esse amor para viver um que realmente o(a) amasse? Caso fosse filho(a), apoiria a decisão de sua mãe? Entenderia o contexto?


E quantos não amamos alguém que se esqueceu de nós? Nem ao menos liga, telefona, sendo que esta pessoa em questão, é nosso verdadeiro amor?


Muito sentimental esse post. Prefiro ser o mais real possível naquilo que escrevo. A vida já está tão complicada para nos questonarmos sobre o "se" ou lamentarmo-nos de algo ocorrido. Mas vale a pena pensar e refletir na proposta que o filme levanta. Quem não assistiu, vá urgente alugar.

2 comentários:

Anônimo disse...

Caraca meu...
é coisa pra se pensar isso aqui, mas temos q levar em conta que no filme, há uma doença, há alguma coisa entre o casal que os faça ter esse distanciamento! Se eu estivesse no lugar do marido, faria de tudo pra ela lembrar quem eu era, levaria fotos, filmes dos nossos bons momentos! e se eu estivesse no lugar dela, bem, não sentiria nenhum remorço ou coisa parecida, pq eu tenho uma doença, é a doença que me faz ficar assim, há remédios, mas o que podemos fazer conta uma doença que acaba com a memória???

como disse, é pra se pensar, só quem tá vivendo ou vai viver ou já viveu sabe como é!


Beijooooo

Juliana Valieri disse...

Textos brilhantes, como sempre! Tinha que ser jornalista mesmo, queria escrever igual você, Everton! E queria ter idéias igual você, estou completamente sem idéias pra postar...
Quanto às reflexões... Temos uma visão tão estereotipada do amor, uma visão tão antiga, tão de posse, doença e ciúmes que fica difícil pensar numa situação dessas. É difícil pensar que seu grande amor tem uma doença que faz esquecer-se de tudo, que faz, inclusive, iniciar outro relacionamento sem ao menos lembrar da sua existência. Sinceramente não sei qual seria minha reação. Sei que viria a tona um sentimento de impotência, afinal, não há o que se fazer. Talvez um carinho, uma sensação doce-amarga de um amor que existiu, talvez continuaria voltando a clínica para visitas... Mas no fundo, permanceria a sensação do vazio.
Que coisa mais triste! Mas de qualquer forma, amei!
E eu também gostaria de ter mais visitas e comentários no meu blog, é triste isso... Estou sem tempo para postar e comentar em blogs, sempre que dá dou uma fugidinha pra escrever. Mas em questão de idéias, tá complicado! Me ajuda! ahaha

Beijo!!