domingo, 14 de setembro de 2008

Subserviência

www.sweetyice.com.br/produtos.asp?pid=17




"Mulher bonita 1,70 de altura; 55 kg, simpática, agradável e pode ser uma ótima companhia e deixar seu dia mais feliz quantas horas você queira e em qualquer ocasião". "Receita do dia: bolo de chocolate e como sugestão de complemento, sorvete de creme". Ator principal do melhor filme do ano discursa ao receber o prêmio, parceiro de cena observa". Jogadora de vôlei afirma que companheira levanta a bola como ninguém". "Humorista que comanda programa semanal serve de escada para demais participantes".

O que há em comum nas palavras em itálico? A frase "a arte imita a vida" é clichê e verdadeira. Os conflitos existentes em filmes por vezes podem até retratar acontecimentos do mundo real. Personagens podem ser reais. E a hierarquia de funções, também. As tais palavras mostram que para todo protagonista, há um coadjuvante, aquele que prepara a jogada, pega a bola no meio de campo, dribla cinco adversários, passa a bola para o atacante que faz o gol. No fim das contas, o
reconhecimento é para quem marcou o gol.

Pode notar: há sempre alguém à sombra de outro para que este apareça, se destaque, finalize a cena. No humor o responsável por isso é o artista que dá o gancho ou a deixa para humorista completar a piada ou diga o bordão. O armador da jogada e o levantador, passam a bola redondinha para o finalizador. O sorvete de creme acompanha a receita do bolo de chocolate, mas este último é a sobremesa principal. A acompanhante contratada pelo cliente em questão, apenas serve aos caprichos do mesmo, o papel importante é dele. Isto vale para um filme, novela: todo protagonista, tem alguém que serve de ombro, apoio, suporte.

Ser coadjuvante para que alguém apareça chega ser é dialético. Quem leva a fama, e tem importância naquele momento não é você. É ele, é ela, ou se preferir, são eles, são elas. Mas a tal criatura não sobrevive sem a sua presença, o que entre aspas, deixa a pessoa com certa relevância nessa tal convivência.

Penso que este processo se parece com o do mutualismo que consiste na relação de interdependência em que a vida em separado não existe. É a história do “depender do outro para que ele me enalteça, me erga e este, fica atrelado a mim” Ambos cumprem seu papel e um não vive sem o outro.

E é verdade. No colégio, quem, já não estudou com aquela menina que gostava de se aparecer, sendo o centro das atenções e os demais, nada mais eram assistentes ou subservientes? No trabalho, na vida cotidiana, a máxima não é diferente. Um assessor de imprensa faz o possível para preservar a imagem do artista ou empresa que trabalha. E repare: há pessoas que fazem esse papel brilhantemente. Existe até prêmio para o melhor ator e atriz coadjuvante.

Você o que é?

Nenhum comentário: