Quando assisto aos programas de televisão assistencialistas, que dão o peixe já limpo e separado em postas e servido com o melhor vinho branco existente, me pergunto: "não seria melhor dar-lhe a vara"?
Sempre digo que se houvesse boa distribuição de renda neste país, as ONGs seriam extintas. Todos teriam moradia, dinheiro para pagar uma consulta/tratamento médico, bem como suas contas e poucos seriam os chamados, devedores. Aproveitando da fraqueza da pessoa em dificuldade financeira e apostando na sensibilidade do brasileiro que de certa forma, se identifica com um determinado problema ou dilema dos participantes de tais programas de tv, os programas em questão, "ajudam" e promovem a elevação da dignidade destes cidadãos.
Escrevo isto, pois no caso Eloá a fórmula não é diferente. A mídia utilizou o fato que a cada ato falho e irresponsabilidade de terceiros que fez com que o caso ganhasse mais e mais notoriedade e volume desnecessários, abordasse da sutileza ao sensacionalismo, tal tragédia. A cada hora que passava, o protagonista gozava da fama obtida; dominava a cena; fazia sua interpretação ser reconhecida, ser objeto de estudo, de desejo. Como um bom ator, concedeu entrevista. Como boa jornalista, a entrevistadora o deixou falar, o deixou sentir-se na calçada da fama. Foi ingênua, porém perspicaz; foi amiga, porém interesseira; foi solidária, porém almejou algo em troca, e conseguiu. Ele, como uma estrela de marca maior, fez exigências assim como as bandas internacionais pedem trezentas toalhas brancas. Como a mocinha indefesa, Eloá se comportava como tal. Coadjuvante, Nayara teve seu momento solo quando as luzes voltaram para ela, enquanto o ator principal se dirigia à cochia tomar um copo com água.
A narrativa bem escrita, precisava de um desfecho a altura daquele espetáculo. Precisava ser algo impactante para não contradizer toda a peça, que teve um início arrebatador; um meio alucinante, e um final...sem precedentes.
Perfeito. Para quem gosta de finais surpreendentes, assim como eu, digno de ser indicado ao "Kikito".
Breve nas melhores locadoras do ramo. Procure na sessão bizarra da locadora. Talvez na parte trash você o encontrará. E esperem que a continuação desta história vai dar o que falar.
Se o final fosse feliz assim como nos contos de fada e nas novelas não seria a vida real. Seria mais uma história ótima com um desfecho para alegria geral da nação.
Is Your Child Ready for Kindergarten?
Há 9 anos
Um comentário:
Hoje o que mais existe na mídia é a espetacularização do sofrimento alheio. Por isso que não ligo a TV no domingo... TODOS os programas exploram ao invés de simplesmente tentar dar um jeito nisso!
;*
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