terça-feira, 7 de outubro de 2008

Não pertencemos à ABNT

Não gosto de títulos que expliquem por completo um texto escrito. Mas é interessante, neste caso, a reflexão partindo do significado das quatro letras em questão. ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. Calçadas, casas, peças, produtos, metragem...um tantão de coisas, como diz minha sobrinha, são obrigatoriamente padronizados de acordo com a tal da ABNT. Por qual motivo? Simples. Para que tudo esteja no padrão.

Gosto sempre de citar a definição das palavras a fim de elucidar o contexto de um comentário. Vamos lá: segundo o dicionário Silveira Bueno, padronização significa igualamento; realização em série usando o mesmo padrão (modelo oficial de pesos e medidas legais; modelo; desenho de estamparia); o mesmo modelo.

O papel da ABNT é ser o guia oficial sobre produtos fabricados ou mesmo construções feitas para que nada saia descompassado, fora da metragem e das exigências internacionais.

E o 'kiko'? Bom, está mais do que óbvio o assunto principal deste post. Igualamento de acordo com o mesmo dicionário é a qualidade de ser igual, nivelamento. Não quero fazer juízo de valor. Hoje vou apenas expor situações e panoramas do cotidiano. Para ser modelo, a garota além de ser linda, deve ter requisitos que a façam seguir na carreira. Um engenheiro precisa calcular com exatidão e elaborar um projeto condizente com as normas oficiais, senão a obra é embargada e há sanções sobre tal profissional. Um operário numa indústria de automóvel, precisa aperta um parafuso naquele momento, naquela posição ou algo pode ocorrer futuramente com o carro a ser produzido. Enfim, a padronização e o igualamento servem para: sobrevivência num mercado de trabalho; segurança e produção em série estruturada. E na vida real?

Somos feitos de carne, osso, água e alma. Não somos um produto final de uma fábrica e nem mesmo uma casa. O nosso fim existe cada vez que dormimos. Esperar, obrigar, taxar, normalizar alguém de acordo com aquilo que julgas ser um padrão de vida, de vivência, comportamental e/ou religioso é olhar para o próprio umbigo se achar presidente da ABNT, alguém que checa, analisa, avalia e aprova.

Ora, já pensou se todos fossem normalizados? Todo mundo igual, pensando e agindo da mesma forma. Por isso que as tribos se formam. São pessoas "padronizadas" e ao mesmo tempo excluídas, e por quem? Pelos que concluem que góticos, emos, clubers, patricinhas, mauricinhos, gays, lésbicas, carolas, fanáticos, esportistas, modelos, favelados, negros, deficientes, não fazem parte da cartilha de normas por eles escrita.

Vivemos uma apartheid glamurisada pelo simples fato julgar com este ou com aquele não devo dirigir a palavra ou cumprimentar.

Século XXI minha gente, cuidemos de nossas vidas, sejamos libertos das amarras do pré-julgamento; preguemos o fim das normas por nós construídas.

Não quero que o mundo seja uma baderna, anarquia, amoral. Quero que as pessoas intruduzam a ética em suas relações, pensamentos, ações, comportamentos. E não sejam hipócritas, mesquinhas, indesejáveis (aliás, assisti a um comercial português em que uma mulher branca senta-se ao lado de um negro dentro do avião e pede para a aeromoça encontrar outro lugar, pois não queria ficar ao lado de um negro. A aeromoça disse que conversaria com o comandante para acabar com o impasse. Ela retorna e diz que era inadmissível alguém permanecer ao lado de um ser desprezível e repugnante e que uma poltrona na primeira classe estava vazia. Ao final ela diz: senhor, me acompanhe até a primeira classe).

Até mais.

3 comentários:

Anônimo disse...

Curti o seu post. Você pega nas feridas do social. É e ainda há mil e um outros tipos, quem sabe mais que isso de preconceitos. Rótulos, definições, padrões, tendências, normas, paradigmas e seus dogmas. É amigo, estamos em pleno século 21, "e agora José?". Ainda bem que existem pessoas que nem você... que assim como eu também querem fugir dos PRÉ-CONCEITOS! Um grande beijo.

Anônimo disse...

Eu sinceramente não sou mto fã dessas normas da ABNT... mas para ter um preceito, uma iguldade, independente do modo de vida, sempre vamos ser uns iguais aos outros!
Eu ainda acho q o mundo tá meio q com cabestro nos olhos pra ver q tudo mudou, que não estamos mais em regine de ditadura, que o Hitler já se foi a décadas, que o muro de Berlin já foi reciclado e deve estar em alguma casa.
Tipo, esse seu post parece aquele comercial da Boticário sabe? aquele q a menina se rebela, acha o baton e sai na rua como A diferente.. peguei com o comercial, pq é isso q estamos precisando no momento, uma "rebelde" que precisa mostrar ao mundo q não somos iguais!

iii acho q ficou meio sem nada a ver esse comentário! ahauhaua

Beeiiijos Evertooon!!!

Samira Hidalgo disse...

Muitos dizem que não querem seguir os padrões. Mas seguem sem perceber.

Na verdade, Everton, já cansei de falar sobre padrão. Cansei de pedir que quebrem os padrões. Porque, simplesmente, é padrão termos padrões.

;)