Ao vê-lo pela primeira vez a sensação pode ser um misto de surpresa por conta do tamanho e alegria por se tratar de um contato inédito com tal graça de Deus e dádiva da natureza. Mas quem se arrisca a entrar em algo desconhecido? Qual o melhor momento para decisão tão importante?
A alegria muda de lado. O novo chega a assustar a cada passo dado. Sabendo que não é tão fácil assim, o jeito é fechar os olhos respirar fundo e deixar a água salina molhar os pés. Que se gelam. Ou melhor, que inicia o gelo interno, que faz a espinha dorsal se contorcer toda. Mas é necessário continuar.
Passos lentos na água fria. E a cada passo dado, a areia se distancia. A cadeira fica mais longe. Voltar atrás significa desistir do novo e voltar ao que se conhece. Dúvida cruel? Dúvida boa de sentir.
A canela está coberta. Os pêlos arrepiados. Já se pode fazer o ritual de colocar as mãos na água e molhar-se. Sentir os pingos tocarem o peito e as costas. Cria-se a vontade de sair imediatamente e correr para dentro da toalha.
Não. Seguir, continuar e ver no que dá. É isso. Ver no que dá. Se for bom, ótimo. Se for ruim... Não será ruim.
Já não se vê com nitidez as coxas. A roupa de baixo está completamente molhada. O princípio da desistência ganha forma de enfrentamento. Pode-se sentir a calmaria das águas. O que antecipa outra novidade. A onda.
O quebrar da onda aumenta o nível da água que por agora, atinge a barriga. A primeira onda não se esquece. Passou pelo corpo como se ele fosse transpassável, invisível. Como se nada pudesse desestabilizar a base sólida criada.
Agora não há mais volta. Pés, pernas, cintura, peito e costas molhados. Cresce a ânsia para desbravar a imensidão, o oceano.
Uma onda que passa é um pulo que se dá. Outra onda que chega, mais um pulo é dado. E assim os minutos se passam e a vontade de se molhar por inteiro aumenta gradativamente.
Só é possível ver cabeça. Braços e pernas balançam por debaixo da água. É inevitável dar o ‘último passo’. Tudo o que deveria acontecer para evitar tal decisão, já se foi. Agora: é mergulhar de cabeça. Enfrentar o que há de vir; desbravar de vez as profundezas; prender a respiração e finalmente, banhar-se por inteiro, por completo, sem se arrepender depois de como os cabelos vão ficar, de como o rosto vai ficar.
O oceano é como a vida. Não adianta a água molhar os pés, é preciso mergulhar de cabeça, enfrentando medos, dificuldades. Só assim, saberás o que há de verdade no fundo desse mar. Talvez o tesouro escondido esteja justamente escondido por entre algas e mariscos. Por não acreditar nisto, perde-se a chance de ser feliz.
FELIZ 2009!
Is Your Child Ready for Kindergarten?
Há 9 anos
Um comentário:
Evertoooonnn
Que texto ma-ra-vi-lho-soooooooooo
adoreeeiii
cada vez mais vc nos surpreende com textos belissimos...
ah o marr....adoroo!!!
rs.. q vontade de ir pro mar!!!
Beijos!
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