quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Quem espera sempre cansa


Olhar para o céu ou para o relógio, senta a beira do abismo, admirar um beijo ardente de um casal, espreitar a felicidade alheia. Bom, este tipo de pessoa que apenas observa, torna-se platéia do mundo, um mero espectador, aquele que não age para conseguir alcançar metas e objetivos, além de ser um sonhador, deixa o traseiro gordo no sofá, não move uma palha para nada. Este alguém vive num eterno esperar.


Na letra composta pelo cantor e vocalista do grupo Jota Quest, Rogério Flausino intitulada Dias Melhores, o autor inicia desta forma: "vivemos esperando dias melhores; dias de paz, dias a mais, dias que não deixaremos para trás". É simples: vivemos esperando que a paz reine no mundo, mas não fazemos nada de concreto para que ela esteja efetivamente em nossas vidas, a não ser quando um bando de tresloucados se vestem de branco e abraçam uma árvore. Queremos viver um grande amor, mas nem de nossas casas (orgulho, presunção, auto-suficiência) saímos e esperamos que aquela pessoa em questão, venha até nós. Queremos ser perdoados, mas nem se quer temos o trabalho de pedir perdão. Um bom emprego? Claro, desde que eu não me esforce muito e não precise de qualificação profissional, pois demandaria tempo e vontade própria. Espero que ele caia do céu.


Ora bolas, o ser humano que somente espera que a solução de seus problemas, conflitos, amarguras venha do céu, pode esperar sentado. Do céu, somente chuva, raio e granizo. De resto, somos nós que devemos correr atrás, lutar ou pelo menos tentar. Receber um não como resposta é melhor que ficar com aquele se na cabeça. "Se eu tivesse feito isso, se tivesse dito aquilo..." O se não joga, não participa e nesse caso, nem deveria existir. A dúvida, a preguiça, a falta de confiança nos impede de sairmos da zona de conforto e irmos a luta. Mas eu entendo perfeitamente as falhas do ser humano. Também sou assim. E que não é?


Esperar que tudo dará certo mas de certa forma agir, é esperar o resultado daquilo ação. Apenas ficar sentado, remoendo dores, tristezas e rancores na esperança de que com o tempo tudo vai melhorar, é esperar por opção. É muito difícil tomar uma decisão e buscar algo, uma melhora, um grande amor. Mas se é realmente isso que queremos, por que não arriscar. E se quebrarmos a cara, bom também.


A letra prossegue: "vivemos esperando o dia em que seremos melhores, melhores no amor, melhores na dor, melhores em tudo". E de fato o é. Para ser melhor, para realmente fazer diferença nesse mundo a começar no nosso íntimo, temos que demonstrar tudo isso através de atos, posturas, vocabulário, e não apenas esperar que a solução brote da terra. Achar que somente ele/ela deva mudar para que o relacionamento prossiga e achar-se no direito de ser o dono da verdade é no mínimo falta de maturidade, e esperar que tal maturidade venha com o tempo sem ao menos buscar melhorar a cada dia, é fim da picada.


Acredito que a letra esta esteja ironizando toda uma situação. Ela afirma que o ser humano espera dias melhores de uma forma taxativa em que ao mesmo tempo alerta para o ato da espera gratuita. É uma música brilhante, sobretudo por humanizar uma das fraquezas do ser humano que é a de esperar sem ter movido uma palha, a de esperar que o mundo mude sem se tocar que ele faz parte disso tudo.


Quando o ser humano notar que esperou demasiadamente, perdeu oportunidades que lhe foram oferecidas para finalmente sair da zona de conforto, talvez tenha sido tarde e tempo é cruel. Ele pode até mesmo passar pela pessoa em questão sem se despedir.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Noticiando...

Ontem foi o caos no mercado financeiro. Tudo porque num mundo globalizado, o que ocorre nos states, por exemplo, afeta a economia mundial. Espero que nosso país esteja preparado para crises financeiras que não têm nada a ver conosco.

Então há mais grampos espalhados por aí? Muito estranho. Amanhã o Ministro da Defesa dará mais explicações a nação.

Quando um líder populista chega ao poder, fica tudo muito bom, tudo muito bem. Até que o cidadão resolve cortar as arestas de quem não está satisfeito com o governo dele. Na Bolívia, a confusão está armada, armada mesmo. Esperamos que o Brasil faça o meio de campo entre os que protestam contra o governos boliviano e a presidência daquele país, e claro, defendendo nossos interesses.

Por enquanto é só.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Esportismo

Felipe Massa não ganhou o GP de Monza mas a diferença dele para Hamilton da MacLaren na disputa pelo título é de apenas 1 ponto. O brasileiro começou muito mal o campeonato, mas ao longo das provas está mostrando regularidade e quando não chega ao pódio, belisca pontos importantes. Agora, o parceiro de equipe dele nem quer saber de ajudá-lo a ganhar o campeonato. Acredito que só há dois pilotos numa mesma equipe porque existem só 11 times no total. É nítido que nessa tal Fórmula 1 (e não só nesta categoria automobilística) é cada um por si e que se dane o outro.

Meu Palmeiras será campeão brasileiro? Tudo indica que sim. O Grêmio perdeu para o Goiás jogando no Olímpico e parece estar sentindo a pressão de liderar o brasileirão. Mas prefiro aguardar as próximas rodadas.

O time do Robinho perdeu para o Chelsea de Felipão e companhia. Será que o atacante quando fez o único gol de sua equipe na partida, o fez com raiva ou desgosto por não ter ido para o time que tanto queria?

Paraolimpíadamente falando, o Brasil vai muito bem, obrigado. Pena que nosso atleta Clodoaldo Silva tenha sido tão prejudicado nesta edição dos jogos. Até agora, nenhuma medalha de ouro. Mas ver a superação de todos os competidores é simplesmente fora do comum.

O Corinthians vai subir. Mas faço um bolão: ele vai cair ou não para a série B ano que vem? Façam suas apostas.

Amanhã tem mais.

domingo, 14 de setembro de 2008

Subserviência

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"Mulher bonita 1,70 de altura; 55 kg, simpática, agradável e pode ser uma ótima companhia e deixar seu dia mais feliz quantas horas você queira e em qualquer ocasião". "Receita do dia: bolo de chocolate e como sugestão de complemento, sorvete de creme". Ator principal do melhor filme do ano discursa ao receber o prêmio, parceiro de cena observa". Jogadora de vôlei afirma que companheira levanta a bola como ninguém". "Humorista que comanda programa semanal serve de escada para demais participantes".

O que há em comum nas palavras em itálico? A frase "a arte imita a vida" é clichê e verdadeira. Os conflitos existentes em filmes por vezes podem até retratar acontecimentos do mundo real. Personagens podem ser reais. E a hierarquia de funções, também. As tais palavras mostram que para todo protagonista, há um coadjuvante, aquele que prepara a jogada, pega a bola no meio de campo, dribla cinco adversários, passa a bola para o atacante que faz o gol. No fim das contas, o
reconhecimento é para quem marcou o gol.

Pode notar: há sempre alguém à sombra de outro para que este apareça, se destaque, finalize a cena. No humor o responsável por isso é o artista que dá o gancho ou a deixa para humorista completar a piada ou diga o bordão. O armador da jogada e o levantador, passam a bola redondinha para o finalizador. O sorvete de creme acompanha a receita do bolo de chocolate, mas este último é a sobremesa principal. A acompanhante contratada pelo cliente em questão, apenas serve aos caprichos do mesmo, o papel importante é dele. Isto vale para um filme, novela: todo protagonista, tem alguém que serve de ombro, apoio, suporte.

Ser coadjuvante para que alguém apareça chega ser é dialético. Quem leva a fama, e tem importância naquele momento não é você. É ele, é ela, ou se preferir, são eles, são elas. Mas a tal criatura não sobrevive sem a sua presença, o que entre aspas, deixa a pessoa com certa relevância nessa tal convivência.

Penso que este processo se parece com o do mutualismo que consiste na relação de interdependência em que a vida em separado não existe. É a história do “depender do outro para que ele me enalteça, me erga e este, fica atrelado a mim” Ambos cumprem seu papel e um não vive sem o outro.

E é verdade. No colégio, quem, já não estudou com aquela menina que gostava de se aparecer, sendo o centro das atenções e os demais, nada mais eram assistentes ou subservientes? No trabalho, na vida cotidiana, a máxima não é diferente. Um assessor de imprensa faz o possível para preservar a imagem do artista ou empresa que trabalha. E repare: há pessoas que fazem esse papel brilhantemente. Existe até prêmio para o melhor ator e atriz coadjuvante.

Você o que é?